Tratamento

Cefaleia em salvasTratamento

O tratamento para a dor de cabeça em salvas é dividido em tratamento transicional, tratamento das crises e tratamento preventivo ou da própria doença.

O ideal é que se trate preventivamente a dor, durante os períodos de surto, para que ela não chegue a se manifestar nos intensos episódios dolorosos que tanto sofrimento acarretam. Se mesmo com o tratamento preventivo, as crises de dor ainda acontecem, o tratamento também deve ser feito e não inclui analgésicos comuns, que muitas vezes são prescritos incorretamente. É muito importante ressaltar que o tratamento CORRETO consegue aliviar e reduzir significativamente a frequência de crises desta dor na grande maioria dos pacientes.

Tratamento das crises

O tratamento das crises geralmente é geralmente eficaz e deve ser cuidadosamente discutido com o seu médico em aspectos como o ajuste de doses, a periodicidade de uso e os possíveis efeitos adversos ou colaterais comuns e potenciais. O paciente deve anotar sempre em um relatório diário de dor, a frequência, a intensidade e a duração de cada crise, assim como a utilização dos medicamentos que irão resgatá-lo da dor. Em geral, cada ataque de dor de cabeça é de grande intensidade e bastante incapacitante.

O Sumatriptano injetável subcutâneo e a inalação de oxigênio a 100% são os tratamentos de escolha para as crises de dor de cabeça em salvas.

oxigênio a 100% inalado através de máscara facial, com fluxo de 12-15 litros por minuto, com o paciente sentado, inclinado para frente e apoiando os cotovelos sobre as coxas, é eficaz e bem tolerado. Com a utilização da técnica correta, 70% das crises podem ser abolidas em 10 minutos e, 90%, dentro de 20 minutos. A inalação de oxigênio deve ser iniciada no momento em que a dor começa e persistir por 20 minutos ou até que a dor desapareça. Se a dor não melhorar, deve-se parar por 5 minutos e depois reiniciar por mais 20 minutos. Não se deve respirar rápido e sim normalmente. Os pacientes que melhor respondem à inalação do oxigênio são os portadores de dor de cabeça em salvas episódica com menos de 50 anos de idade.

O Sumatriptano injetável subcutâneo é a mais eficiente terapia aguda para a dor de cabeça em salvas. Para muitos pacientes seu uso é mais prático do que a inalação de oxigênio. Não apresenta efeitos colaterais sérios e seu uso a longo prazo não resulta em necessidade de usar doses cada vez maiores para se obter o mesmo efeito como acontece eventualmente em pacientes com outros tipos de dor de cabeça como a enxaqueca. Muitas vezes, apenas meia dose da seringa disponível comercialmente no Brasil, de 6mg, é suficiente para abolir a crise de dor em menos de 15 minutos e nos Estados Unidos já há apresentações comerciais de 4mg.

O sumatritpano é bem tolerado e, quando se respeitam as suas contra-indicações referentes a doenças isquêmicas do coração, hipertensão não controlada, angina de Prinzmetal, hipersensibilidade à substância e uso concomitante de determinados antidepressivos, não ocorrem efeitos importantes sobre o sistema cardiovascular.

Tratamento preventivo

O tratamento preventivo da dor de cabeça em salvas deve sempre ser priorizado, mesmo levando-se em conta que mais de 90% dos pacientes respondem à inalação de oxigênio a 100% ou ao uso do sumatriptan injetável subcutâneo durante as crises.

Para o tratamento preventivo usam-se medicamentos em caráter diário, como, por exemplo, o Verapamil, tomados em doses variadas e por um período de tempo de 2 a 4 meses (ou enquanto durar o surto), a partir do momento em que o ciclo de dor se reinicia.

Os derivados da ergotamina, que hoje não existem mais de forma isolada no Brasil, também podem ser usados no tratamento preventivo da dor de cabeça em salvas. Pacientes com crises apenas durante a noite podem ser tratados com ergotamina em cápsulas ou comprimidos uma hora antes de se deitarem. A razão para essa utilização é relacionada ao momento em que se inicia a fase REM (que é a fase de sonhos ou dos movimentos rápidos dos olhos – REM significa Rapid eye moviments) do sono, quando geralmente acontecem as crises de dor de cabeça em salvas.

Existem, ainda, outras drogas preconizadas para o tratamento preventivo da dor de cabeça em salvas. A escolha da substância a ser usada depende do tipo de dor de cabeça em salvas, comorbidades do paciente (ou doenças concomitantes que ele tenha) e perfil de tolerabilidade individual.

Anticorpos monoclonais anti-CGRP. Desde o ano de 2020, já existem no Brasil os anticorpos monoclonais anti-CGRP (um peptídeo envolvido nos mecanismos dessa dor e da dor de cabeça da enxaqueca). Apenas o galcanezumabe é aprovado para uso nas cefaleias em salvas. Existe aqui nas doses de 100mg (embalagem com 3 seringas de 100mg) e de 120mg. Em abril de 2022, já utilizamos em 13 pacientes com cefaleia salvas episódica e em 1 com a forma crônica tendo obtido resultados variados. A despeito da conduta não ilibada da fabricante e de sua associação com profissionais de péssimo caráter e conduta ética, o galcanezumabe tem sido nossa opção de tratamento e apesar de caro, pode funcionar de forma mais rápida e mais bem tolerada do que as drogas atualmente disponíveis para a cefaleia em salvas.

Soluções mirabolantes como o uso de Boswellia Serratta ou Clomifeno, bloqueios anestésicos na cabeça, uso da toxina botulínica e outras condutas sugeridas por médicos de caráter questionável, não devem ser tentados porque representam apenas formas de ludibriar e lucrar com o sofrimento dos pacientes. Mais recentemente, a neuromodulação com aparelhos eletrônicos que estimulam o gânglio esfenopalatino pode ser tentada em pacientes que não respondem aos medicamentos. Esses eletro estimuladores precisam ser implantados cirurgicamente e seu custo também pode ser um obstáculo importante. O bloqueio deste gânglio, com a administração de anestésicos locais injetados por agulhas cumpridas, maleáveis e curvas na ponta, até o teto das fossas nasais, é uma técnica útil e eficaz em alguns pacientes.